Ao longo dos anos, fui construindo uma forma de trabalhar que não cabe em uma única sigla. Minha prática nasce da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), se amplia com as Terapias Contextuais e dialoga com a perspectiva Humanista Existencial. Não se trata de misturar abordagens por misturar, mas de reconhecer que nenhuma delas, sozinha, dá conta de tudo o que uma pessoa traz para a sessão.

O ponto de partida: a pessoa antes da técnica

Toda terapia começa com alguém que está sofrendo e que decidiu falar sobre isso. Antes de qualquer protocolo, existe uma história, um contexto, uma forma particular de estar no mundo. É essa pessoa — e não um diagnóstico isolado — que orienta o processo.

Por isso, o primeiro tempo do acompanhamento é de escuta e compreensão: o que te trouxe até aqui, como isso aparece no seu dia, o que você já tentou, o que você gostaria que fosse diferente.

TCC: entender o que se repete

A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem estruturada e com ampla base científica. Ela parte da ideia de que pensamentos, emoções e comportamentos estão conectados e se influenciam mutuamente. Muitas vezes, um sofrimento se mantém porque um padrão se repete: uma leitura de si mesmo (“não sou capaz”), uma emoção que vem junto (ansiedade) e uma resposta automática (evitar).

Na prática, a TCC ajuda a:

  • identificar padrões de pensamento e comportamento que mantêm o sofrimento;
  • compreender a função de cada sintoma, e não apenas o sintoma em si;
  • construir, de forma colaborativa, recursos concretos para o dia a dia;
  • acompanhar os resultados ao longo do processo, com objetivos claros.

É um trabalho com direção, mas nunca rígido: o ritmo é seu.

Terapias Contextuais: o que a vida pede de nós

As chamadas Terapias Contextuais — entre elas a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) e a Terapia Comportamental Dialética (DBT) — ampliam esse olhar. Em vez de focar apenas em reduzir sintomas, elas perguntam: como você se relaciona com o que sente? O que sustenta uma vida com sentido para você?

Isso muda o lugar do sofrimento. Nem toda dor é um problema a ser eliminado: parte dela é parte de estar vivo, de amar, de se importar, de escolher. O trabalho passa a ser desenvolver flexibilidade — a capacidade de sentir o que é difícil e, ainda assim, seguir na direção do que importa.

  • Aceitação: abrir espaço para emoções difíceis sem lutar contra elas o tempo todo.
  • Valores: reconhecer o que dá direção à sua vida e agir a partir disso.
  • Presença: habitar o momento presente em vez de viver no piloto automático.
  • Vínculo: usar a própria relação terapêutica como espaço de aprendizagem sobre como você se relaciona.

Esse é também o terreno onde o diálogo com a perspectiva humanista se torna natural.

Humanismo Existencial: você é mais do que um diagnóstico

A tradição humanista existencial traz perguntas que a técnica sozinha não responde: o que faz sentido para você? Como é ser você no mundo, com essa história, essa família, esse corpo, esse tempo? O que você tem escolhido — e o que tem evitado escolher?

Dessa perspectiva, a pessoa não é um conjunto de sintomas a serem corrigidos, mas um sujeito em relação, capaz de dar sentido à própria experiência. Liberdade, responsabilidade, finitude, solidão, vínculo e autenticidade são temas legítimos de uma sessão — e muitas vezes o que mais mobiliza alguém.

A Gestalt-terapia, nesse campo, colabora com a atenção ao aqui e agora, à forma como você se apresenta e ao que aparece na relação com o outro. Não para interpretar você, mas para ampliar a consciência do que está vivo em cada momento.

Como isso aparece na sessão

Na prática, o encontro entre essas abordagens resulta em um processo que:

  • é estruturado — há objetivos, combinados e acompanhamento;
  • é flexível — o plano se ajusta ao que a vida traz naquela semana;
  • é respeitoso com a subjetividade — suas escolhas e seu tempo não são negociados;
  • é orientado por valores — não apenas para aliviar o que dói, mas para construir uma vida que valha a pena para você.

Há semanas em que vamos trabalhar um pensamento específico, com tarefas claras. Há semanas em que o mais importante é ficar com uma pergunta, ou simplesmente ser ouvido. As duas coisas são terapia.

E o diagnóstico?

O diagnóstico tem seu valor: ajuda a compreender o que está em curso, a orientar decisões e a dar nome a um sofrimento que muitas vezes parece inexplicável. Nomear pode aliviar.

Mas o diagnóstico não é a sua identidade. Ele descreve um conjunto de experiências em um determinado momento; não diz quem você é, nem o que é possível para você. Na minha prática, ele é um recurso de leitura — nunca um destino.

Para quem esse trabalho faz sentido

Para adolescentes, adultos e idosos que estão vivendo ansiedade, depressão, esgotamento, luto, conflitos de relacionamento, transições de vida ou simplesmente a sensação de estar perdido de si mesmo. Também para quem não quer apenas resolver um problema, mas se compreender melhor e viver de forma mais coerente com o que valoriza.

Se essa descrição ressoa com o que você procura, será um prazer conversar.